segunda-feira, 7 de maio de 2012
A magia de ser eu mesmo
No café da manhã engole a sua infinidade e caminha carregando o peso de estar preso em si mesmo. Caminha atentando os detalhes, procurando uma companhia. Não corresponde ao comum, não se encaixa. Sorri um sorriso que as pessoas não conseguem devolver, deseja um bom dia que as pessoas não conseguem entender. Está sempre quieto, tranquilo, praticamente alheio. Está tão sozinho por fora. Mas à noitinha ele tranca a porta e a magia acontece. Ele cospe a intensidade guardada e se veste dela mesma. Assiste a vida passar lá fora como se não fizesse parte dela. A vida dele está toda do lado de dentro. Tem amigos imaginários, paredes terapeutas e almofadas que conseguem abraçar. Faz poesias enquanto cozinha e consegue enxergar a cor dos sentimentos. Tem uma alma toda colorida - em tons pastéis. Ele brinca, canta, sorri, dança, desenha, chora, perdoa, fotografa, se faz companhia, se admira. Ele se liberta. Até que ele cansa (a intensidade o deixa exausto). Então ele dorme cansado de existir. Adormece com um sorrisinho de quem não está sozinho. Até a manhã seguinte, quando ele acorda.
Minha ausência das palavras deu-se por eu estar muito ocupado,escandalosamente feliz. Preciso compartilhar o que senti, e deixou em mim uma felicidade pequena, de quem ama grande. Sempre se gasta tanto tempo e tantos versos poetizando tristezas, que acho justo fazer o mesmo da alegria. Mas sem expectativas, nada aconteceu de estrambótico. Só estive perto de amores, os primeiros e os últimos, e os vi compartilhando risos e leveza. Coisa pouca mesmo, como tudo que é preciso para me fazer feliz. Devo considerar que, após exaustivas dores, é muito possível aprender também nas alegrias. E devo considerar mais ainda, que só o sentimento dememento mori me fez perceber as alegrias do presente como dádivas e não rotineiro merecimento. Se por tempos vivi uma liberdade silenciosa, agora não é mais possível esconder. O perfume de uma alma liberta invade. Indisfarçável. Senti orgulho de saber que estamos no passo certo e que são para pequenos momentos como estes que devemos continuar a caminhada - a permissão a nós mesmos da alegria sem culpa. Tenho sentido a melhor de todas as ledices, e a minha preferida, esta de completamente grato. Quem ama nesta vida – e reconhece – entende a que me refiro. Tenho dito.
Sente aqui...
Sente aqui, querido. Não há mais nada além para fazer. Agora só te resta se deixar levar sem espernear ou lamentar. Ah, doce querido, não é tão ruim assim! Somos um pouco a vida dos outros também, sempre haveremos de sentir por eles. Coisas boas, ruins, certas ou erradas. Não esqueça que vai passar. Eu, por exemplo, já quis fugir com o circo. Mas não foi possível. Já quis eliminar quem hoje amo. O contrário também. Fiz os dois. Mas ninguém poderá te ensinar o que deverás aprender. É assim. Faz do agora tua escolha. Não é impossível, digo por experiência própria. É possível seres inteiro em tudo. Sente por inteiro tua dor, só assim saberás o valor da alegria quando a roda da fortuna te trouxer. Idas e vindas, perdas e ganhos. Alternância com propósitos além do óbvio. E também impossível de explicar. É necessário sentir. Sente aqui, querido. Não há mais nada além para fazer.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Sobre a decepção e outras coisas
A palavra decepção surgiu na Grécia antiga quando uma mulher deveras apaixonada sofreu com as peripécias do homem amado. Ele não se importava, ditava seu falso amor ao vento e erguia outras saias brancas e esvoaçantes por aí, achando graça em qualquer detalhe dourado que prendesse cabelos compridos. A tristeza da mulher era tamanha que escolher uma palavra já existente no vocabulário para expressar sua dor se mostrou uma tarefa impossível. Assim, ela criou a decepção (do grego: decepar o coração), que logo tomou grandes proporções, já que muitas pessoas se identificaram com o novo nome dado a um velho e conhecido sentimento. Ela era perspicaz, ao menos.
Mentira. Não faço a menor ideia de como nasceu a palavra decepção, mas sei que foi muito bem parida; há aflições que só ela explica. Até poderia fazer uma busca pela origem no Google, acho, mas não sou exatamente do tipo que procura respostas para o que já está em mim desde que nasci. Não preciso de um dicionário nesse caso, obrigado. Investigando bem ao fundo, a decepção é algo intuitivo que sempre esteve guardado em algum canto genético de nossos cérebros. Como uma pessoa que carrega um vírus desativado. E, de repente, um alguém externo vem cutucar feridas não tão limpas e higienizadas assim e pronto, a decepção se instala. É para aprendermos como a antissepsia é realmente importante e pode prevenir. A decepção não se cria nem se desenvolve. Apenas surge. Assim, do nada mesmo. E aumenta, e como aumenta, alimentando-se de lascas de desafeto, amargura, desdenho... qualquer coisa que venha de quem você menos espera. Quando sua dor é provocada por alguém a quem você daria sua vida, ou algo mais ou menos assim – um braço já está valendo -, pode-se dizer que você está vivendo uma decepção. E, convenhamos, não há nada mais pesado do que estar decepcionado. É pior que tristeza, porque tristeza dá e passa. Pode demorar e deixar cicatrizes, mas passa. Decepção fica. E nunca cicatriza nem clareia hematomas. Decepção é o lenço que a gente sempre carrega na bolsa ou no bolso, só que com muitos quilos a mais. Aquele tão grudado lá no fundo que dá preguiça de tirar. Outra coincidência: assim como os lenços, decepções também costumam carregar lágrimas com frequência. Não são cortes limpos e lisos como os de um cirurgião bem treinado, estão mais para cortes serrilhados e lentos de contrabando ilegal de órgãos. O que combina, porque sempre parece que a decepção está mesmo levando um grande pedaço de você. Menos o fígado, porque ela sabe que você vai precisar e muito dele depois de conhecê-la.
É diferente para cada pessoa. Eu, por exemplo, vejo decepção em cada passo que dou pelas avenidas de uma cidade. Ou ruelas menores, tanto faz. O ponto crucial vem dos passos, não do lugar. Um passado de fracassos, um presente de dúvidas e erros, um futuro sem futuro. A maneira mais fácil que já encontrei – sem querer, é claro – de viver uma decepção, foi olhando para meu próprio reflexo no espelho lá do quarto. Grande, comprido, feio, pavoroso. Entupido de arrependimentos, descrenças e medos. Rugas internas de uma mente velha que vive em um corpo jovem, gordo e flácido demais. É uma decepção em cada risquinho colorido da retina, como se eles fossem uma contagem histórica e depressiva de todas as adversidades inaceitáveis de uma vida. Eu já me decepcionei com eles, com elas, com você, com o andar da carruagem de meus dias sem graça. Já me decepcionei com tantas coisas que decorei a feição que a gente faz quando passa por isso. Mas nunca me decepcionei tanto quanto comigo mesmo. Nunca tive nojo ou raiva dos erros alheios, apenas dos meus. E jamais desprezei uma imagem que não fosse a minha. Porque não ter sabido tomar conta de mim por tanto tempo e decepar meu próprio coração não tem perdão.
Vivo a decepção todos os dias, como a mulher da Grécia antiga deve ter vivido e como suas antepassadas também. Hoje não preciso sofrer um golpe a cada dia para me sentir assim. Hoje já aprendi a me resguardar e não deixar que me tomem por um bobinho. Mas vivo a decepção de quem não sabe para onde ir ou sequer onde ficar. De quem não idealiza uma vida, de quem não difere certo e errado, de quem enxerga tudo como um grande tombo em direção ao abismo. De quem tenta, tenta e tenta uma terceira vez, sabendo que o resultado será sempre o mesmo. De quem enxerga os olhos vermelhos a cada dia, mas pinga um colírio e sorri para esconder a tristeza, porque é assim que o mundo quer. Não há nada pior do que decepcionar-se consigo mesmo. Porque você pode até dar um braço ou sua vida por alguém e esse alguém te matar de dor por algum tempo. Mas você se salva e sempre dá um jeito de se reerguer, nem que seja como em uma pintura falsa de meio sorriso. Mas quando você dá uma porrada em sua vida ou esmaga seu próprio braço, não há ninguém capaz de te puxar da escuridão. E então você apenas fecha os olhos e deseja com força a cadeira elétrica, porque é apenas isso que merece, enfim. E lembra que mora no Brasil. Não temos o direito da cadeira elétrica por aqui. E então você chora, porque a decepção não sabe ser contida como outros tantos sentimentos. Ela escorre mesmo e se acha o máximo, muito melhor do que você e sua fraqueza infinita.
Mentira. Não faço a menor ideia de como nasceu a palavra decepção, mas sei que foi muito bem parida; há aflições que só ela explica. Até poderia fazer uma busca pela origem no Google, acho, mas não sou exatamente do tipo que procura respostas para o que já está em mim desde que nasci. Não preciso de um dicionário nesse caso, obrigado. Investigando bem ao fundo, a decepção é algo intuitivo que sempre esteve guardado em algum canto genético de nossos cérebros. Como uma pessoa que carrega um vírus desativado. E, de repente, um alguém externo vem cutucar feridas não tão limpas e higienizadas assim e pronto, a decepção se instala. É para aprendermos como a antissepsia é realmente importante e pode prevenir. A decepção não se cria nem se desenvolve. Apenas surge. Assim, do nada mesmo. E aumenta, e como aumenta, alimentando-se de lascas de desafeto, amargura, desdenho... qualquer coisa que venha de quem você menos espera. Quando sua dor é provocada por alguém a quem você daria sua vida, ou algo mais ou menos assim – um braço já está valendo -, pode-se dizer que você está vivendo uma decepção. E, convenhamos, não há nada mais pesado do que estar decepcionado. É pior que tristeza, porque tristeza dá e passa. Pode demorar e deixar cicatrizes, mas passa. Decepção fica. E nunca cicatriza nem clareia hematomas. Decepção é o lenço que a gente sempre carrega na bolsa ou no bolso, só que com muitos quilos a mais. Aquele tão grudado lá no fundo que dá preguiça de tirar. Outra coincidência: assim como os lenços, decepções também costumam carregar lágrimas com frequência. Não são cortes limpos e lisos como os de um cirurgião bem treinado, estão mais para cortes serrilhados e lentos de contrabando ilegal de órgãos. O que combina, porque sempre parece que a decepção está mesmo levando um grande pedaço de você. Menos o fígado, porque ela sabe que você vai precisar e muito dele depois de conhecê-la.
É diferente para cada pessoa. Eu, por exemplo, vejo decepção em cada passo que dou pelas avenidas de uma cidade. Ou ruelas menores, tanto faz. O ponto crucial vem dos passos, não do lugar. Um passado de fracassos, um presente de dúvidas e erros, um futuro sem futuro. A maneira mais fácil que já encontrei – sem querer, é claro – de viver uma decepção, foi olhando para meu próprio reflexo no espelho lá do quarto. Grande, comprido, feio, pavoroso. Entupido de arrependimentos, descrenças e medos. Rugas internas de uma mente velha que vive em um corpo jovem, gordo e flácido demais. É uma decepção em cada risquinho colorido da retina, como se eles fossem uma contagem histórica e depressiva de todas as adversidades inaceitáveis de uma vida. Eu já me decepcionei com eles, com elas, com você, com o andar da carruagem de meus dias sem graça. Já me decepcionei com tantas coisas que decorei a feição que a gente faz quando passa por isso. Mas nunca me decepcionei tanto quanto comigo mesmo. Nunca tive nojo ou raiva dos erros alheios, apenas dos meus. E jamais desprezei uma imagem que não fosse a minha. Porque não ter sabido tomar conta de mim por tanto tempo e decepar meu próprio coração não tem perdão.
Vivo a decepção todos os dias, como a mulher da Grécia antiga deve ter vivido e como suas antepassadas também. Hoje não preciso sofrer um golpe a cada dia para me sentir assim. Hoje já aprendi a me resguardar e não deixar que me tomem por um bobinho. Mas vivo a decepção de quem não sabe para onde ir ou sequer onde ficar. De quem não idealiza uma vida, de quem não difere certo e errado, de quem enxerga tudo como um grande tombo em direção ao abismo. De quem tenta, tenta e tenta uma terceira vez, sabendo que o resultado será sempre o mesmo. De quem enxerga os olhos vermelhos a cada dia, mas pinga um colírio e sorri para esconder a tristeza, porque é assim que o mundo quer. Não há nada pior do que decepcionar-se consigo mesmo. Porque você pode até dar um braço ou sua vida por alguém e esse alguém te matar de dor por algum tempo. Mas você se salva e sempre dá um jeito de se reerguer, nem que seja como em uma pintura falsa de meio sorriso. Mas quando você dá uma porrada em sua vida ou esmaga seu próprio braço, não há ninguém capaz de te puxar da escuridão. E então você apenas fecha os olhos e deseja com força a cadeira elétrica, porque é apenas isso que merece, enfim. E lembra que mora no Brasil. Não temos o direito da cadeira elétrica por aqui. E então você chora, porque a decepção não sabe ser contida como outros tantos sentimentos. Ela escorre mesmo e se acha o máximo, muito melhor do que você e sua fraqueza infinita.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
O que procuras?
O que procuras? O que vieste fazer aqui hoje? Procuras romances? Sonho? Verdade? Procuras a mim? Ou a ti? Queres que eu te dê voz? Que escreva por ti? Que diga o que não tem coragem? Ou não sabe? Ou não acreditas? Ou não podes mais? Queres zombar? Queres me diminuir? Ou te diminuíres? Queres que eu escreva o que queres ler? Queres o meu romantismo? Ou meu realismo? Queres duvidar de que seja possível? Ou queres acreditar que seja? Queres os meus olhos? Ou os seus? Pois afirmo que não encontrarás aqui nada além de ti mesmo. É teu olhar no meu que fará destas letras algo de bom – ou ruim. Se vieres com amargura vais sair daqui acreditando ser tudo uma grande ilusão de um coração romântico bobo demais. Se vieres com esperança vais sair daqui acreditando que é possível fazer tudo ou alguma coisa valer à pena. Se vieres não desejando nada, é com nada que vais sair. Vais entender então, um dia, que é teu olhar que faz o teu mundo. Que amas o que é teu em outro, e a recíproca vale para o ódio. Não é o que está diante de ti, mas o que procuras. A propósito, o que procuras?
quarta-feira, 25 de abril de 2012
O que queria dizer!
Desculpe por ligar essa hora da noite. É tarde demais, eu sei, assim como é tarde demais para nós dois, segundo eu mesmo. Mas eu só queria dizer que eu gosto de você. Que não consigo dormir porque agora você é apenas seu e nada meu, embora todas as suas lembranças estejam aqui. E eu sou uma memória, uma triste memória do que você já não quer viver. Não quero ser uma memória gostando assim, nem ao menos sei se memórias sabem gostar ou apenas parasitam o amor que a gente sente. E eu gosto de você, então não posso ser uma memória. Preciso ser seu, como era antes, como sempre fui desde o dia em que você segurou minhas mãos e tirou o celular delas. Dizem que a noite traz dezenas de coisas, especialmente o sono. Para mim ela ás vezes carrega um toque de angústia e solidão .E as lembranças que tenho de você (hoje tem sido assim). Mesmo quando esta longe, você esta aqui, como um sopro leve em meu olhos cansados, meu sono fraco e meu peito inseguro. E agora nada. Um travesseiro, um edredom e gritos de tristeza que acordam os vizinhos. Tocaram o interfone aqui. Pediram para parar com a barulheira. Mas você não ouve minha sofreguidão incontida. Você está longe demais e agora nem o que estava perto está mais. Desculpe por ligar e soluçar tanto minha dor aos seus ouvidos. Mas é que eu gosto de você.
Posso estar sendo presunçoso, mas acho que mereço um pouco de compreensão, perdão ou seja lá o nome que você queira dar a isso. E mereço que você volte a ser como era antes. Porque acho que posso mesmo te fazer feliz, ainda que eu seja uma pessoa triste. Estou pedindo pela primeira vez que reconsidere a situação.
Estava me perguntando o que faria com todos os tópicos sobre você que estavam escritos em meu diário mental, não sei. Não tenho como jogar no lixo o fato de gostar de você,de almejar algo juntos, sobre isso que você me passa a impressão de não acreditar.Eu sou idiota mesmo. Você quer trilhar estradas com outro alguém,comigo ou só, enquanto isso eu sentei aqui para te esperar voltar porque não posso seguir adiante nessa situação. Você tem a capacidade de ser grande, eu não. Eu precisava de você para me aumentar, para acrescentar tudo que me faltava. Pimenta, sal, açúcar, cor. Mais do que tudo, cor. Tudo que eu queria era continuar gostando de você, mas ele está aí com você e eu não sei o que fazer além de cair de joelhos e pedir que você não jogue tudo que se passou fora e que traga uma chance de continuarmos vivendo outras tantas coisas como eu mesmo já imaginei algumas vezes.
Então estou aqui, pedindo que me perdoe por ligar tão tarde. E por aprender tão mais tarde ainda o que deveria saber desde o começo. E também peço perdão por ter aquela coisa chamada insegurança. Aquela que te afastou de mim. Mas, acima de tudo, peço perdão por não conseguir me desvencilhar de você e te dar a paz que você quer longe de mim. A questão é que estou sem sono. Não sei ser sua linha paralela.Com 2 as coisas ficam mais fácil, acredita em mim. Em nós. Acredita em tudo que você costuma acreditar e que eu carrego como algo subversivo na minha vida. Nós podemos. Sempre acreditei quando você dizia que de alguma forma poderíamos. Sempre dei um jeito de tentar. Acredita em mim , já que tudo se inverteu. Dessa vez não é de mim que dependemos, porque já aprendi. Estou dizendo que podemos. É só você voltar a ser como antes. Troco minha escrita – sempre melhor quando estou sozinho e desnorteado – para estar com você. Você disse através de um texto que eu preciso aprender a não desistir sem tentar.Você me entende e sabe lá no fundo que se eu pudesse melhorar com um piscar de olhos já teria feito isso para te convencer. Mas eu preciso de um pouco de paciência e compreensão para continuar melhorando aos poucos, com passos de bebê. Posso me acostumar com sua ida para longe, desde que você esteja comigo. Você não me deu tempo para captar as mudanças ao redor. Eu só preciso que você me dê um tempo, sem ficar longe de mim.
Desculpa por ligar tão tarde. Você só respondeu “tchau” e eu até entendo que mereço, apesar de querer asfixiar o rosto embaixo do travesseiro. Desculpa por ligar tão tarde. Mas é que não consigo dormir.
Posso estar sendo presunçoso, mas acho que mereço um pouco de compreensão, perdão ou seja lá o nome que você queira dar a isso. E mereço que você volte a ser como era antes. Porque acho que posso mesmo te fazer feliz, ainda que eu seja uma pessoa triste. Estou pedindo pela primeira vez que reconsidere a situação.
Estava me perguntando o que faria com todos os tópicos sobre você que estavam escritos em meu diário mental, não sei. Não tenho como jogar no lixo o fato de gostar de você,de almejar algo juntos, sobre isso que você me passa a impressão de não acreditar.Eu sou idiota mesmo. Você quer trilhar estradas com outro alguém,comigo ou só, enquanto isso eu sentei aqui para te esperar voltar porque não posso seguir adiante nessa situação. Você tem a capacidade de ser grande, eu não. Eu precisava de você para me aumentar, para acrescentar tudo que me faltava. Pimenta, sal, açúcar, cor. Mais do que tudo, cor. Tudo que eu queria era continuar gostando de você, mas ele está aí com você e eu não sei o que fazer além de cair de joelhos e pedir que você não jogue tudo que se passou fora e que traga uma chance de continuarmos vivendo outras tantas coisas como eu mesmo já imaginei algumas vezes.
Então estou aqui, pedindo que me perdoe por ligar tão tarde. E por aprender tão mais tarde ainda o que deveria saber desde o começo. E também peço perdão por ter aquela coisa chamada insegurança. Aquela que te afastou de mim. Mas, acima de tudo, peço perdão por não conseguir me desvencilhar de você e te dar a paz que você quer longe de mim. A questão é que estou sem sono. Não sei ser sua linha paralela.Com 2 as coisas ficam mais fácil, acredita em mim. Em nós. Acredita em tudo que você costuma acreditar e que eu carrego como algo subversivo na minha vida. Nós podemos. Sempre acreditei quando você dizia que de alguma forma poderíamos. Sempre dei um jeito de tentar. Acredita em mim , já que tudo se inverteu. Dessa vez não é de mim que dependemos, porque já aprendi. Estou dizendo que podemos. É só você voltar a ser como antes. Troco minha escrita – sempre melhor quando estou sozinho e desnorteado – para estar com você. Você disse através de um texto que eu preciso aprender a não desistir sem tentar.Você me entende e sabe lá no fundo que se eu pudesse melhorar com um piscar de olhos já teria feito isso para te convencer. Mas eu preciso de um pouco de paciência e compreensão para continuar melhorando aos poucos, com passos de bebê. Posso me acostumar com sua ida para longe, desde que você esteja comigo. Você não me deu tempo para captar as mudanças ao redor. Eu só preciso que você me dê um tempo, sem ficar longe de mim.
Desculpa por ligar tão tarde. Você só respondeu “tchau” e eu até entendo que mereço, apesar de querer asfixiar o rosto embaixo do travesseiro. Desculpa por ligar tão tarde. Mas é que não consigo dormir.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Do Silêncio
Andava assim, em silêncio profundo. Cada vez com uma certeza maior de que um dia não terá mais volta. Terá mergulhado em vasto segredo, em profunda quietude. Não te assustes, é um silêncio bonito. Uma serenidade pura, um sossego valioso. O mundo anda acabando, dizem. Usa então o tempo para realizar. Diminuiu o tamanho dos sonhos. Hoje eles têm um tamanho possível. Falam, é muito conformada. Incomodam-se, anda muito contente. É que existe uma vontade, um delírio. É que a cada proximidade do fim apressa-se a viver os detalhes. É que sempre são detalhes. Aqueles risos gostosos, que deveriam ser protegidos de tão preciosos. As juras tão belas quanto impossíveis. A esperança de que a vida poesia traga doçura no fim. E quiçá, aquele sonho um dia se realize. Além disso, promete não demorar mais. E também nunca mais fazer promessas.
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